O endividamento das famílias brasileiras atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses, alcançando o maior nível da série histórica do Banco Central (BC). Os dados, divulgados na quinta-feira (29/10), mostram que as dívidas dos brasileiros com o sistema financeiro já equivalem a mais da metade de tudo o que as famílias recebem ao longo de um ano. O resultado acende um alerta sobre a situação financeira da população e as dificuldades para manter as contas em dia.
De acordo com o Banco Central, o indicador chegou a 50,11% em agosto de 2026, registrando crescimento de 0,2 ponto percentual em relação a julho e de 1,2 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano anterior. Na prática, isso significa que, para cada R$ 100 de renda anual das famílias brasileiras, existem aproximadamente R$ 50,10 em dívidas com instituições financeiras. O cálculo considera o conjunto das famílias e inclui modalidades como financiamentos, empréstimos e cartão de crédito.
Outro dado preocupante é o comprometimento da renda mensal com o pagamento de dívidas, que também atingiu um recorde histórico, chegando a 29%. Isso significa que, em média, quase R$ 30 de cada R$ 100 recebidos mensalmente pelas famílias são destinados ao pagamento de parcelas, juros e outros encargos financeiros. Para uma família com renda mensal de R$ 3 mil, por exemplo, esse percentual representa aproximadamente R$ 870 utilizados para honrar compromissos financeiros, reduzindo os recursos disponíveis para alimentação, transporte, saúde e outras despesas.
O avanço do endividamento ocorre em um cenário de juros elevados e utilização de modalidades de crédito com custos mais altos. Segundo o levantamento, quando os financiamentos imobiliários são retirados do cálculo, o endividamento das famílias corresponde a 31% da renda anual. Já o comprometimento mensal com pagamentos de dívidas, excluindo o crédito habitacional, chega a 26,7%.
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