Petrobras aumenta querosene de aviação em 7,2 por cento neste domingo e Bahia tem previsão de redução de 17,4 por cento nos voos

O querosene de aviação (QAV) ficou 7,2% mais caro neste domingo (1º de novembro), após um novo reajuste anunciado pela Petrobras. Com o aumento de R$ 0,45 por litro, o combustível passou a custar aproximadamente R$ 6,69 para as distribuidoras. A elevação amplia a pressão sobre as companhias aéreas, ameaça provocar novos reajustes nas passagens e pode prejudicar o turismo em estados como a Bahia, que já enfrenta redução na oferta de voos.

Somente em 2026, o querosene de aviação acumula uma alta aproximada de 83,7%, considerando os reajustes divulgados pela estatal desde dezembro de 2025. O combustível, que custava cerca de R$ 3,64 por litro no encerramento do ano passado, passou para aproximadamente R$ 6,69 em novembro, uma diferença superior a R$ 3 por litro. Apenas nos últimos dois meses, a Petrobras aplicou aumentos de 11,76%, em outubro, e 7,2%, em novembro. Segundo a empresa, os reajustes refletem a valorização internacional do produto, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio e pelos impactos da guerra entre Rússia e Ucrânia.

O encarecimento preocupa o setor aéreo brasileiro porque o combustível representa uma das maiores despesas das companhias. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), o querosene já responde por aproximadamente 46% dos custos operacionais. Parte dessa pressão tem chegado aos consumidores. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que o preço médio das passagens domésticas subiu 18,5% entre fevereiro e setembro, passando de R$ 629,95 para R$ 746,57.

Na Bahia, os efeitos já aparecem no planejamento das companhias aéreas. Levantamento da Abear aponta uma redução prevista de 17,4% na oferta de voos do estado para novembro, em comparação com a programação anterior. O percentual coloca a Bahia entre as unidades da Federação mais afetadas, atrás apenas de Sergipe, que registra retração projetada de 24,8%. A diminuição das frequências pode dificultar o deslocamento de visitantes para destinos turísticos como Salvador, Porto Seguro e Ilhéus, especialmente com a aproximação das férias e das festas de fim de ano.

A situação é ainda mais preocupante diante da revisão da malha aérea nacional. Segundo a Abear, as companhias reduziram de 69.545 para 66.210 a quantidade de voos domésticos inicialmente previstos para novembro. A diferença de 3.335 operações representa uma redução de aproximadamente 500 mil passageiros em relação à projeção anterior. Esse número é nacional e não significa que todos esses passageiros desistirão de viajar, mas demonstra o impacto do aumento dos custos sobre a capacidade de transporte aéreo.

Na Bahia, a Gol também reduziu sua programação para novembro. Dados registrados na Anac apontam que a companhia passou de 3.123 para 2.169 trechos domésticos previstos envolvendo aeroportos baianos, uma redução de 954 operações, equivalente a aproximadamente 30%. Entre as mudanças estão as suspensões temporárias das ligações diretas de Salvador com Petrolina, Porto Alegre e Curitiba.

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